A Venezuela já tem um decreto de emergência que dá poderes especiais a Nicolás Maduro pronto para ser usado em caso de uma eventual agressão dos Estados Unidos. Segundo a vice-líder do país, Delcy Rodríguez, o regime venezuelano preparou o documento em resposta à mobilização de navios de guerra e tropas no mar do Caribe, próximo da costa do país latino. “O presidente assinou um decreto de comoção externa”, disse a vice em um encontro com diplomatas nesta segunda (29). “Se eles chegarem a agredir a nossa pátria, o decreto dá um poder especial ao presidente para atuar em defesa da Venezuela.” Ela disse que ele poderia mobilizar o Exército, tomar a infraestrutura para garantir o funcionamento dos serviços públicos, fechar fronteiras e convocar as milícias bolivarianas. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Segundo ela, a Constituição da Venezuela prevê quatro estados de exceção, inclusive contemplando momentos de comoção nacional. Neste caso, trata-se de um decreto de comoção externa. “Jamais entregaremos a nossa pátria”, disse Rodríguez. “Os países que não são potências militares têm uma potência que é a legalidade institucional e é por meio dela que esse decreto busca proteger a integridade nacional.” Um dia antes, Maduro afirmou que o país está organizado e preparado para enfrentar “qualquer eventualidade”, após um exercício de emergência nacional que ocorreu no sábado (27). Maduro elogiou a “grande participação” da população na simulação, que incluiu áreas urbanas, rurais e costeiras. Ele destacou a colaboração entre o povo e o Estado como a “maior força” da Venezuela. Ele também manifestou que a estabilidade do país é garantida com preparação, da unidade nacional e do amor pela vida. O exercício envolveu 11.767 pessoas, simulando 411 cenários de emergência, como inundações, terremotos e ataques militares. Os participantes foram instruídos sobre a organização e as respostas necessárias em situações de desastre. Diosdado Cabello, chefe do Interior e Justiça, mencionou que o exercício faz parte da preparação de milicianos, devido às ameaças dos Estados Unidos. A atividade foi convocada por Maduro após a ocorrência de dez terremotos e tremores secundários nos últimos dias.
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