Vídeos gravados por testemunhas e analisados pelo The New York Times mostram que o enfermeiro Alex Pretti — morto por um agente do ICE (Serviço de Imigração dos Estados Unidos), em Minneapolis, no sábado (24) — não estava manuseando uma arma no momento em que foi assassinado, contradizendo a versão oficial das autoridades federais. Enquanto o Departamento de Segurança Interna afirma que Pretti se aproximou dos agentes com uma arma de fogo e resistiu violentamente à tentativa de desarmá-lo, as imagens disponíveis o retratam segurando um telefone celular, filmando o confronto e, em seguida, sendo imobilizado e baleado mesmo depois de aparentemente desarmado. De acordo com as análises do The New York Times, o enfermeiro se coloca entre uma mulher e um agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) que utilizava spray de pimenta contra a manifestante. As imagens mostram Pretti segurando um telefone em uma mão e nada na outra. A arma, à qual ele tinha porte legal, permanece escondida até que os agentes federais o imobilizam na calçada. Já desarmado e no chão, Pretti é atingido nas costas por um tiro à queima-roupa. Em seguida, o mesmo agente efetua outros disparos, até que o enfermeiro cai. Outro integrante do ICE saca a arma, e novos tiros contra o enfermeiro são ouvidos. “Mentiras repugnantes” Após o assassinato, a família de Pretti divulgou um comunicado denunciando as mentiras do governo de Donald Trump sobre o caso. “As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas. Alex claramente não estava armado quando foi atacado pelos capangas covardes e assassinos do ICE de Trump. Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda vazia, erguida acima da cabeça, enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de empurrar — tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta”, aponta o comunicado, assinado pelos pais de Alex, Michael e Susan. “Por favor, divulguem a verdade sobre nosso filho. Ele era um bom homem.” O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, prometeu que o “sistema de Justiça do estado terá a palavra final” sobre o assassinato do enfermeiro, ecoando os apelos de ativistas por uma investigação local — e não apenas federal — sobre o crime. Embora as autoridades federais sejam responsáveis pela condução da política externa e pela regulamentação da imigração, a educação e o policiamento são atribuições das forças de segurança estaduais e locais. Pretti é a segunda pessoa morta por agentes do ICE. No dia 7 de janeiro, Renee Nicole Good, poetisa e mãe de três filhos, foi assassinada dentro de seu carro, em Minneapolis. A execução gerou uma onda de protestos de oposição ao governo Donald Trump e de forte repúdio à política anti-imigração.
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