O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, disse nesta quinta-feira (6) que a prioridade do Brasil entre Venezuela e Estados Unidos deve ser o continente sul-americano. “Nós temos que defender a América do Sul, nós vivemos aqui, o Brasil tem fronteiras com dez países da América do Sul. Quer dizer, é diferente, nós não estamos discuindo uma coisa distante, estamos discutindo uma coisa que é a nossa fronteira”, afirmou. Lula deve viajar para a cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) no próximo sábado (8), na Colômbia. Segundo o chanceler Mauro Vieira, a pauta da reunião será a solidariedade à Venezuela. “Essa reunião vai tratar da sua agenda, da sua pauta, e é um apoio, uma solidariedade regional à Venezuela, tendo em vista que o presidente [Lula], repetidamente, já disse —e é a posição da nossa política externa— que a América Latina e, sobretudo, a América do Sul, onde nós estamos, é uma região de paz e cooperação”, afirmou nesta quarta-feira (5). O encontro de líderes da Celac, em reunião conjunta com representantes da União Europeia, ocorrerá nos próximos dias 9 e 10. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Amorim disse que a posição do Brasil neste caso não atrapalha a tentativa do governo Lula de se posicionar como um mediador entre os dois países. Nos últimos meses, os EUA vêm bombardeando embarcações nas águas da América do Sul, supostamente por atuarem para o tráfico de drogas venezuelano (sem que existam provas disso). Já foram mortas ao menos 66 pessoas nestes ataques, que aconteceram no Caribe e no oceano Pacífico. O esforço militar, que envolve o envio de navios para o Caribe e caças para Porto Rico, é visto como uma forma de pressionar Nicolás Maduro a deixar o poder. Washington afirma que o ditador lidera uma rede de tráfico de drogas chamada Cartel de los Soles, cuja existência é contestada por especialistas.
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