O petroleiro capturado pelo governo Donald Trump será levado a um porto nos Estados Unidos, e o petróleo da Venezuela que ele carrega será confiscado, disse nesta quinta-feira (11) a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. De acordo com Leavitt, o governo americano se apropriará da carga do navio “por meio de um processo legal”. Ela acrescentou que a embarcação, que saía de um porto venezuelano, foi alvo de um mandado de apreensão emitido pelo Departamento de Justiça dos EUA. Segundo relatos da imprensa americana, o navio capturado é o petroleiro Skipper, barco de bandeira da Guiana que seria acusado pelos EUA de participar de comércio com o Irã, país alvo de sanções americanas. Com cerca de 330 metros de comprimento e 60 de largura, o Skipper entra na categoria VLCC (Cargueiro de Petróleo Cru Muito Grande, na sigla em inglês), tipo de navio capaz de transportar até 2 milhões de barris de petróleo —carga que pode valer entre US$ 120 milhões (R$ 650 mi) e US$ 160 milhões (R$ 865 mi). Dados de plataformas de rastreamento de navios mostram que a última viagem registrada do Skipper teve como ponto de partida o porto de Basra, no Iraque, e a capital guianense de Georgetown. Na tarde desta quinta, o cargueiro se encontrava no Caribe oriental, próximo às ilhas de Santa Lúcia e Martinica. O petroleiro foi capturado em uma operação das Forças Armadas americanas realizada próximo às águas territoriais da Venezuela. Segundo Leavitt, Trump vê a interceptação do barco como parte da política de sanções contra adversários dos EUA, como Teerã e Caracas. Nesta quinta, o Departamento do Tesouro americano impôs sanções contra três sobrinhos de Maduro e outros seis cargueiros que exportam petróleo da Venezuela. Os navios sancionados estão registrados com bandeiras das Ilhas Marshall e do Reino Unido. A medida levanta a possibilidade de que mais cargueiros possam ser capturados pelos EUA, potencialmente asfixiando a economia venezuelana. Segundo a agência de notícias Reuters, Washington já se prepara para mais interceptações, de acordo com autoridades americanas ouvidas sob condição de anonimato. A crise causou uma alta nos preços de petróleo no mercado internacional e fez com que empresas de transporte marítimo reconsiderem viagens ao Caribe, ainda de acordo com a Reuters. As autoridades ouvidas pela agência dizem que as Forças Armadas dos EUA já estão monitorando uma série de petroleiros que estão em águas venezuelanas e que podem ser alvo de captura assim que deixarem o espaço territorial do país. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e tem uma economia dependente de exportações dessa commodity. A captura do petroleiro na quarta foi a primeira interferência direta de Washington nesta que é a principal fonte de arrecadação do regime de Nicolás Maduro —exportações de petróleo da Venezuela têm a China como principal destino. A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, disse na quarta que a captura foi conduzida pelo FBI (a polícia federal americana), e pelos Departamento de Segurança Interna e de Defesa com o objetivo de tomar um navio “usado para transportar petróleo sancionado da Venezuela e do Irã” que seria usado para “financiar organizações terroristas”. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A indústria petrolífera venezuelana está sob sanções econômicas dos EUA há anos, embora a americana Chevron tenha permissão para operar no país ao lado da PDVSA, a empresa estatal de petróleo de Caracas. Em resposta à captura do petroleiro, Maduro disse em comunicado que a Venezuela “exige o fim da intervenção brutal e ilegal dos Estados Unidos” no país. O chanceler da Venezuela, Yván Gil, falou em “ato de pirataria internacional”. “Não é a primeira vez que [Trump] admite (…) que seu objetivo é ficar com o petróleo venezuelano”, afirmou o chefe da diplomacia venezuelana. Senadores do Partido Democrata e pelo menos um do Partido Republicano criticaram a ação do governo Trump, demonstrando preocupação que as ações do presidente levarão Washington a uma guerra contra Caracas. O senador democrata Chris Van Hollen disse que a captura do petroleiro “mostra que a história que [o governo] conta, de que são ações contra o tráfico de drogas, é uma mentira. Trata-se de mudança de regime por meio da força”. Já o senador republicano Rand Paul disse que “capturar o petroleiro de outro país é um ato de guerra”. “Será que o governo americano deveria andar pelo mundo procurando por monstros, procurando por adversários contra quem iniciar guerras?”, questionou em entrevista.
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