O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, nomeou Akin Gurlek como seu novo ministro da Justiça. Antes promotor-chefe de Istambul, ele foi o responsável pela repressão inédita ao principal partido de oposição, provocando críticas da legenda nesta quarta-feira (11). Parlamentares trocaram socos e empurrões durante a cerimônia de posse. Desde sua nomeação como promotor-chefe, em 2024, Gurlek coordenou uma onda de prisões e indiciamentos contra o Partido Republicano do Povo (CHP), incluindo investigações sobre o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival político de Erdogan, que está preso desde março do ano passado. Em uma denúncia de 4.000 páginas em novembro passado, Gurlek pediu uma pena de prisão de mais de 2.000 anos para Imamoglu, sob o argumento de que o opositor supostamente liderava uma vasta rede de corrupção. A denúncia desencadeou os maiores protestos na Turquia em uma década. A primeira audiência desse caso, que acusa centenas de outros réus ligados à prefeitura de Istambul de corrupção e suborno, será realizada em março. Um grande tumulto eclodiu no Parlamento turco antes da posse de Gurlek, após parlamentares da oposição protestarem contra a nomeação. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Deputados do CHP se reuniram ao redor do pódio do presidente da Câmara para bloquear Gurlek, chamando sua indicação de um ataque ao Estado de Direito. Imagens transmitidas por emissoras locais mostraram parlamentares se empurrando e trocando socos, enquanto deputados do partido governista formavam um cordão de proteção ao redor de Gurlek durante a leitura do juramento. Na primeira reforma ministerial desde as eleições de 2023, Gurlek substituiu Yilmaz Tunc, que foi eleito pela primeira vez como membro do Parlamento em 2007. O anúncio no Diário Oficial também informou que Erdogan nomeou o governador provincial de Erzurum, Mustafa Ciftci, como ministro do Interior, substituindo Ali Yerlikaya, que governou Istambul antes de sua nomeação como ministro. Ancara não apresentou explicações para a reforma ministerial. Centenas de membros partidários e autoridades eleitas foram detidos na repressão de Gurlek, que foi criticada como antidemocrática e politizada por partidos de oposição, grupos de direitos humanos e alguns líderes estrangeiros —acusações que o governo rejeita, afirmando que o Judiciário é independente. O líder do CHP, Ozgur Ozel, disse que a nomeação de Gurlek para o gabinete dá continuidade a uma “tentativa de golpe judicial”, iniciada quando ele era promotor, e representa mais um passo em um grande ataque contra seu partido. “Não vamos nos render. Eles não podem parar nossa marcha rumo ao poder”, disse Ozel a jornalistas em uma cerimônia em memória de um ex-líder do partido, acrescentando que não restava mais competição política justa no país.
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