O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira (2) que é ridículo que os Estados Unidos continuem com sua relação “unilateral” com a Otan, a aliança militar ocidental. A declaração foi feita a menos de uma semana da reunião de Ancara, que ocorrerá nos dias 7 e 8 deste mês, com os 32 países-membros da Otan reunidos sob a presidência da Turquia. “Eles não estavam lá por nós!!!”, escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social, antes de acrescentar que a relação de Washington com a Otan “não é recíproca”. Trump chegou a admitir publicamente que quase desistiu de ir à cúpula e atribuiu a confirmação de sua presença à insistência pessoal do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. O presidente americano tem atacado os países da Otan por supostamente não terem feito o suficiente para apoiar os EUA na guerra com o Irã, já que vários aliados europeus restringiram o uso de bases para as forças americanas. A situação levou Trump a ameaçar sair da aliança militar. Ele também insiste que a Europa deve assumir um papel de maior protagonismo em sua própria defesa. Washington propõe reduzir significativamente sua presença militar na Europa, incluindo a retirada de tropas e de um dos dois grupos de porta-aviões, além de todos os submarinos americanos designados à aliança. Em sua mensagem de quinta-feira, Trump incluiu um gráfico que mostra o volume dos gastos da Otan, com Washington investindo muito mais do que alguns outros Estados-membros representados na imagem. Sob pressão de Trump, os líderes da aliança concordaram, na cúpula em Haia no ano passado, em destinar pelo menos 5% do PIB à segurança até 2035, sendo 3,5% em gastos estritamente militares. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, foi direto: se os aliados não cumprirem as metas, a contribuição americana ao orçamento da Otan vai diminuir. “A Otan será uma via de mão dupla”, avisou. O impasse chega até Londres: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou nesta semana um plano de £15 bilhões (R$ 103,8 bilhões) em investimento militar —mas com um buraco de £4,7 bilhões (R$ 32,52 bilhões) a ser coberto no próximo Orçamento. O premiê vai a Ancara como um dos últimos atos de seu governo.
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