Um drone russo atingiu neste domingo (13) um trem de passageiros na fronteira da Ucrânia com a Polônia, país membro da Otan. O ataque ocorreu pouco depois de o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson e outros diplomatas europeus terem usado a mesma linha ferroviária. O trem, usado com frequência por delegações estrangeiras no caminho de Kiev em razão do espaço aéreo ucraniano fechado pela guerra, foi atacado a apenas dois quilômetros da fronteira polonesa, informou a operadora ferroviária da Ucrânia. Não houve registro de vítimas. “Não era o nosso trem, mas o que vinha apenas alguns minutos depois de nós, perto da passagem de fronteira. Ele foi evacuado quando o drone se aproximou e ninguém ficou ferido”, escreveu Carl Bildt, ex-primeiro-ministro da Suécia, no X. Ele e outros políticos estavam retornando de Kiev após participarem de uma conferência na cidade. “É inteiramente possível que o alvo pretendido pelo drone russo fosse o trem diplomático, que partiu da estação antes do horário previsto depois que os horários dos trens foram ajustados em tempo real devido à ameaça constante de ataques russos”, afirmou a operadora ferroviária ucraniana, Ukrzaliznytsia, no Telegram. Boris Johnson chamou o episódio de “aleatório e sem sentido” em uma publicação no Instagram. Moscou e Kiev intensificaram nas últimas semanas os ataques de longa distância. O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, chamou o aumento dos ataques russos às portas da Otan como “uma escalada”. Mais cedo neste domingo, um caminhão a menos de um quilômetro da fronteira da Ucrânia com a Polônia também foi atingido, levando o posto de passagem de Dorohusk-Yahodyn a interromper brevemente suas operações, segundo os guardas de fronteira. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que tinha como alvo infraestrutura ucraniana que facilita o transporte de cargas militares provenientes da Europa, no oeste da Ucrânia. A Rússia reforçou, nas últimas semanas, ataques as locais próximos da fronteira da Ucrânia com seus aliados como parte de uma campanha cada vez mais intensa contra a infraestrutura econômica do adversário, mais de quatro anos após o início da invasão russa. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo No sudeste da Ucrânia, controlada pela Rússia, o chefe da empresa estatal nuclear russa Rosatom acusou a Ucrânia de atacar caminhões de combustível perto da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa. A usina está sob controle russo desde março de 2022 e continua próxima à linha de frente. Um porta-voz do Exército ucraniano não respondeu a pedidos de comentário. Na Rússia, o prefeito de Nizhnekamsk, na região do Volga, no Tartaristão, afirmou que drones ucranianos atingiram alvos “civis e industriais” na cidade. Pelo menos duas pessoas morreram e várias ficaram feridas. Ele não esclareceu quais alvos haviam sido atingidos, mas a cidade abriga uma importante refinaria de petróleo que já foi atacada anteriormente. As autoridades ucranianas não comentaram de imediato o ataque a Nizhnekamsk, mas afirmaram ter atingido outra refinaria na região de Krasnodar, no sul da Rússia.
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