O governo do Equador declarou estado de emergência nesta terça-feira (16) em 8 de suas 24 províncias, considerando-as as mais afetadas pela violência relacionada ao narcotráfico, que persiste apesar das operações militares e policiais em andamento. Organizações criminosas, também envolvidas em sequestros, extorsão e mineração ilegal, travam uma sangrenta luta pelo poder que levou a violência ao seu ápice em 2025. No ano passado, houve 51 homicídios por 100 mil habitantes, o equivalente a um assassinato por hora, segundo a organização Insight Crime. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estado de emergência para as províncias costeiras de El Oro, Esmeraldas, Guayas (cuja capital é Guayaquil), Los Ríos, Manabí, Santa Elena e Santo Domingo de los Tsáchilas, bem como para a província andina de Pichincha (onde fica a capital, Quito). A medida, anunciada na terça devido à “grave agitação interna” terá duração de 60 dias. Desde que assumiu o poder em novembro de 2023, Noboa decretou diversos estados de emergência e toques de recolher noturnos em meio à sua guerra contra as drogas, mobilizando as Forças Armadas nas ruas com o apoio dos EUA. Washington e Quito fazem operações conjuntas há meses para enfrentar os grupos criminosos no país sul-americano, mergulhado em uma onda de violência. No último mês, o governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, confirmou que os EUA mantêm operações militares contra o narcotráfico no norte do país, perto da fronteira com a Colômbia. Ele se recusou a responder quantos militares americanos estão mobilizados na região e desde quando. As operações são realizadas sob sigilo e fazem parte do acordo Escudo das Américas, uma coalizão formada por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, criada e liderada pelo presidente americano. Noboa, por meio de um decreto, já suspendeu o direito à inviolabilidade do domicílio e da correspondência nas áreas sob estado de emergência, onde as Forças Armadas intervêm para combater a atividade criminosa. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Na semana passada, o governo anunciou um toque de recolher noturno em vigor de 17 a 30 de setembro nas províncias de Guayas, Manabí, Los Ríos e El Oro, esta última na fronteira com o Peru. A nova ofensiva contra o crime organizado ocorre após a segunda visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a Quito, em uma viagem em que elogiou o Equador, a que chamou de seu aliado “leal”, pela sua luta contra as drogas. O tratamento da Casa Branca com governos não alinhados da região, como o Brasil, tem sido o oposto. Em documento enviado ao Congresso americano nesta terça-feira (15), Washington afirma que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) e disse que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
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