Os Estados Unidos planejam estabelecer uma base permanente da CIA, a agência de espionagem americana, na Venezuela, segundo uma reportagem da CNN americana publicada nesta terça-feira (27), que ouviu funcionários familiarizados com o assunto. A movimentação ocorre na esteira de uma operação das Forças Armadas dos EUA que capturou o ditador Nicolás Maduro e o levou para Nova York para enfrentar acusações de tráfico de drogas. Desde então, o regime tem sido comandado por Delcy Rodríguez. A líder interina foi apoiada pelo governo Donald Trump por ser vista como uma figura capaz de conduzir um processo de estabilização da economia venezuelana. Desde então, houve uma reaproximação entre Washington e Caracas, com negociações para impulsionar a indústria petrolífera do país latino-americano, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas cuja infraestrutura está deteriorada. Segundo a reportagem da CNN, a CIA deve liderar, por ora, os planos de Trump de exercer influência sobre o futuro do país. Funcionários da agência e do Departamento de Estado têm discutido como será a presença americana no país a curto e a longo prazo. Embora o Departamento de Estado deva assumir o papel de principal representante diplomático no futuro, funcionários relataram à CNN que os EUA já querem implementar uma espécie de escritório da CIA. O papel da agência é visto como fundamental neste primeiro momento, devido à questão da transição política e do cenário ainda instável, do ponto de vista da segurança, após a queda de Maduro. Ou seja, antes da abertura de uma embaixada oficial, que já é avaliada pelo governo, os americanos devem atuar a partir de uma estrutura operacional da CIA, em um modelo semelhante ao adotado pela agência na Ucrânia. A estratégia permitiria o início de contatos informais com diferentes membros do regime venezuelano, lideranças da oposição, além de mapear figuras que poderiam representar uma potencial ameaça. A CIA não respondeu a um pedido de comentário da CNN. Já houve uma aproximação pública neste sentido. No último dia 15, Delcy recebeu o diretor da CIA, John Ratcliffe, em Caracas, marcando a visita oficial mais importante de um funcionário americano desde a captura de Maduro. Trump pediu que Ratcliffe transmitisse a mensagem de que os EUA esperam uma relação de trabalho melhorada, segundo um funcionário ouvido pela Reuters na época. Eles discutiram cooperação de inteligência e estabilidade econômica. Delcy tem adotado uma postura morde-e-assopra em relação aos EUA. Ela tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington, voltada para sua base de apoio interna, e um tom mais conciliatório com Trump, direcionado à comunidade internacional. No domingo (25), Delcy disse que não quer mais ordens dos Estados Unidos. “Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou ela em uma mensagem a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte do país. Delcy era a número dois do regime de Maduro. Desde então, a Venezuela tem aberto canais de diálogo em meio à pressão americana, e a líder foi convidada pelo governo Trump para visitar Washington, embora ainda não haja data para a reunião, segundo a Casa Branca. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
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