O presidente de Gana, John Dramani Mahama, reiterou nesta terça-feira (17/02), em pronunciamento à imprensa local, que seu país apresentará à Organização das Nações Unidas (ONU) um projeto de resolução para declarar o tráfico transatlântico de escravos como “o maior crime já cometido contra a humanidade”. A declaração sobre a iniciativa confirmou o anúncio feito no último domingo (15/02) durante a 39ª Assembleia da União Africana, realizada na sede da entidade, em Abis Abeba, na Etiópia. Na ocasião, Dramani Mahama afirmou que o texto do projeto de resolução está sendo finalizado e será entregue oficialmente à ONU em meados de março. Também assegurou que a proposta contará com o apoio da União Africana. Segundo o mandatário ganês, o documento inclui um estudo acadêmico, a partir de documentos históricos oficiais, que estima em mais 12 milhões as pessoas africanas escravizadas vendidas como mercadoria através do tráfico transatlântico, e em mais de dois milhões as vítimas que faleceram na travessia do oceano – resultando em mais de 14 milhões de vítimas, segundo essas análises. Dramani Mahama afirma que o projeto de resolução tem como objetivo “estabelecer a a verdade com precisão e justiça histórica, além de restituir a dignidade às vítimas desses crimes”. “Para reconhecer esta, que foi a injustiça mais grave da história da humanidade, para lançar uma base mais sólida para uma reconciliação e igualdade genuínas, precisamos que a Justiça e as instituições entendam que devem ir além do mero reconhecimento dos fatos, e isso significa esclarecer o registro histórico, esclarecer a magnitude daqueles acontecimentos e dos crimes cometidos contra as populações da África”, argumentou. Nova ordem multipolar O presidente ganês afirmou que a iniciativa também busca compensação financeira por parte dos países que promoveram o tráfico transatlântico de escravizados, dentro dos conceitos de justiça e reparação reconhecidos internacionalmente. Também foi enfático ao afirmar que a África não pode mais ser uma “vítima silenciosa, implorando às nações hegemônicas que mudem sua visão” sobre o continente. “A África deve ter a oportunidade de tomar o seu destino em suas próprias mãos”, acrescentou o mandatário, para, em seguida, defender a adesão dos países do continente a “uma nova ordem mundial multipolar que respeite a soberania e a memória histórica das nações que resistiram a séculos de colonialismo”. Ao concluir seu discurso, Dramani Mahama disse que as nações da África devem “trabalhar para que o Sul Global tenha um lugar à mesa quando uma nova ordem global estiver sendo implementada”. Programa da Unesco No início de fevereiro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou que criará um programa voltado à restituição do patrimônio cultural dos países de todo o mundo, incluindo os da África. A medida foi mencionada durante a assembleia da União Africana, na qual representantes de diferentes países apresentaram informes com detalhes de artefatos históricos que foram roubados pelos colonizadores europeus durante os séculos 17 e 20. *Com informações de RT e TeleSur.
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