Um homem acusado de drogar e estuprar a esposa sem que ela soubesse durante um período de 20 anos confessou nesta segunda-feira (14), no Reino Unido, ter cometido dezenas de crimes contra ela. O marido, cujo nome não pode ser divulgado para proteger o direito legal de anonimato da esposa, já havia admitido algumas das infrações no Tribunal da Coroa de Manchester Minshull Street, incluindo estupro. A esposa acompanhou o julgamento acompanhada por membros de sua família. O marido, na casa dos 60 anos, ficou visivelmente afetado ao repetir a palavra “culpado” para dezenas de acusações, incluindo múltiplos casos de estupro, agressão com penetração e administração de substância com intenção criminosa. Em determinado momento, ele foi convidado a se sentar no banco dos réus pelo juiz. Outros doze homens negam acusações graves de crimes sexuais contra a mesma mulher. O marido, da região de Stockport, na Grande Manchester, será sentenciado pelos crimes que confessou ao término do julgamento. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Um 13º homem já havia admitido crimes sexuais contra a mulher. Os crimes do marido contra a esposa, com quem foi casado por décadas, ocorreram desde 2004, enquanto as acusações envolvendo os outros homens abrangem o período de setembro de 2018 a novembro de 2025. Os outros réus são: Philip Wild, 58, de Stockport Sean Peers, 38, de Stockport Jordan Wallace, 31, de Manchester Alan Keelan, 42, de Manchester Jonathan Kirk, 43, de Stockport Robert Stewart, 70, de Stockport Mohammed Sabir, 28, sem residência fixa. Graham Brougham, 74, de Northwich, Cheshire Richard Townsend, 37, de Rochdale Karl Lindsay, 55, Taunton, Somerset Daniel Rayner, 42, de Whitstable, Kent David Graves, 59, de Ilkeston, Derbyshire. O julgamento deverá prosseguir nas próximas semanas. Eles negam as acusações. O processo na Inglaterra lembra do caso de Gisèle Pelicot, que marcou a França e o mundo. A francesa descobriu ter sido drogada e abusada por anos pelo então marido, que convidava outros homens para estuprá-la. Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão. Outros 50 homens também foram sentenciados em 2024 por estuprar Gisèle. Dominique admitiu que dava instruções aos homens para evitar acordá-la ou deixar vestígios de que haviam estado ali, como aquecer as mãos antes de tocar na esposa ou não cheirar a perfume ou cigarro. Em uma entrevista à BBC, Gisèle contou como ela e os três filhos foram abalados enquanto família pelo caso. “É errado pensar que uma tragédia dessas reúne uma família. Levamos um longo tempo para nos reconstruirmos”, contou a francesa. Gisèle contou também por que abriu mão do anonimato. “Carreguei esta vergonha por mais de quatro anos”, contou. “E senti que era uma dupla punição para as vítimas, um sofrimento que impúnhamos a nós mesmas.” Segundo a francesa, ela nunca se arrependeu de vir a público para falar do abuso e dos traumas que sofreu. “Era também uma mensagem para as vítimas que não ousavam fazer o mesmo… Poderia dar a elas um pouco da força que encontrei em mim.” “Pois temos dentro de nós recursos de que eu nem suspeitava. E, se eu consegui fazer, todas as vítimas também podem. Estou certa disso.” Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação.
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