O jornalista americano Don Lemon foi detido na noite desta quinta-feira (29) em Los Angeles, nos Estados Unidos, dias após fazer uma live durante um protesto na igreja Cities, em St. Paul, capital de Minnesota. A manifestação tinha como alvo as ações de imigração do governo de Donald Trump. O jornalista, que foi âncora de programas da CNN de 2014 a 2022, tem cerca de 2,4 milhões de seguidores no Instagram e apresenta um programa independente chamado “The Don Lemon Show”. De acordo com a agência Reuters, citando uma autoridade do Departamento de Justiça, Lemon é acusado de privar pessoas de seus direitos civis e de violar uma lei que proíbe uso da força ou ameaça para impedir acesso a locais de saúde e de culto, por supostamente haver obstruído acesso à igreja. Essa autoridade afirmou ainda que o FBI e o Departamento de Segurança Interna (DHS) foram os responsáveis pela prisão do jornalista. “Don é jornalista há 30 anos, e seu trabalho em Minneapolis, protegido pela Constituição, não foi diferente do que ele sempre fez. A Primeira Emenda existe para proteger jornalistas, cujo trabalho é desvelar a verdade e exigir respostas de quem está no poder”, afirmou a defesa de Lemon em publicação nas redes sociais. A Primeira Emenda da Constituição dos EUA assegura a livre expressão e exercício do trabalho jornalístico. Lemon afirma que esteve na igreja durante a manifestação como jornalista, segundo a agência Reuters. Ele teria recebido a informação de que o protesto ocorreria, mas afirma não saber que os manifestantes interromperiam o culto, algo duramente criticado por republicanos e aliados de Trump. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Departamento de Justiça foi procurado pela agência Reuters, que não recebeu resposta. Lemon foi funcionário da CNN por 17 anos, como repórter e âncora de programas. Ele foi demitido em 2023 após fazer comentários vistos como sexistas sobre mulheres e a pré-candidata republicana à Presidência Nikki Haley. Ele se desculpou pelos comentários depois. Manifestantes que organizaram o protesto afirmam que um dos pastores da igreja é funcionário do ICE, uma das agências usadas pelo governo Trump em sua estratégia migratória agressiva e alvo de críticas, particularmente após as mortes de Renée Good e Alex Pretti em Minneapolis neste mês. O protesto na igreja Cities, da Convenção Batista do Sul, a maior denominação protestante dos EUA, tornou-se um ponto de controvérsia no debate entre cristãos sobre como agir com relação à política da Casa Branca. Se, por um lado, cristãos foram detidos ao protestar contra as medidas, por outro, há religiosos que evitam se posicionar e contestar ações do governo de base conservadora.
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