A cantora, multiartista e ativista moçambicana Lenna Bahule, mantém vívida sua origem africana no seu trabalho e em sua existência, mas tem permanecido mais no Brasil, e não à toa. “Eu acho que talvez esse seja o momento mais importante, principalmente pelo cenário político que a gente vive agora, as oportunidades que o Brasil oferece de financiamento cultural, artístico. Eu sinto que existe uma troca justa, assim, nesse sentido”, diz ao Conversa Bem Viver, do Brasil de Fato.Ao analisar disputas eleitorais e os atravessamentos decorrentes delas no país, a artista destaca que a política não é um tema distante, mas algo que atravessa diretamente a sua rotina e a sua permanência no país como imigrante. Para ela, as decisões sobre os rumos do Brasil moldam as condições reais de acolhimento e a segurança de quem vive no país como cidadão estrangeiro.“Estou bem envolvida com as eleições, com tudo que está acontecendo nessa conturbação chamada Brasil nesse momento. Porque, de alguma forma, eu me beneficio, eu me sinto uma cidadã que se beneficia das escolhas políticas, não só como residente no Brasil, mas como moçambicana mesmo, porque o que for decidido aqui vai ter um impacto muito grande econômico em Moçambique. Grandíssimo nos acordos diplomáticos, e não só, obviamente. Como um cidadão do planeta Terra, quando a gente pega em assuntos como desmatamento da Amazônia, a demarcação de terras indígenas, os direitos dos povos indígenas”, afirma.Bahule alerta sobre os riscos decorrentes do avanço da extrema direita e de narrativas conservadoras, que colocam sob ameaça direitos constitucionais básicos. E enfatiza que a legislação brasileira assegura direito à saúde e à educação para imigrantes, apontando o Sistema Único de Saúde (SUS) como um programa indispensável de proteção para ela e seu filho.“O Brasil é um país que, constitucionalmente, todas as pessoas imigrantes têm direito à educação e à saúde aqui, então eu me beneficio do SUS. Eu não tenho condições financeiras ainda de ter um seguro de saúde, mas existe o SUS. Então, o SUS me dá uma previsibilidade de estar aqui com o meu filho e saber que eu serei bem atendida por um serviço de saúde de qualidade, por exemplo”, relata.A artista defende que o engajamento e o posicionamento político são ferramentas importantes de resistência e fala da responsabilidade de se manifestar publicamente para combater retrocessos sociais que afetam desde a permanência de imigrantes até as políticas socioambientais e diplomáticas. “As escolhas políticas aqui vão ter um impacto muito grande nisso. A porteira dessas trocas vai ser escancarada e aí não vai ter limite”, pontua. Conversa Bem ViverA sintonia da Rádio Brasil de Fato é 98,9 FM na Grande São Paulo.Assim como os demais programas da Rádio Brasil de Fato, você pode ter acesso a esse conteúdo com antecedência para reproduzir gratuitamente na sua rádio. Acesse este formulário e faça sua inscrição.São dezenas de rádios que fazem parte desta corrente!
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