O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o fim da escala 6×1 em encontro com centrais sindicais no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (16). Na ocasião, as entidades entregaram a Pauta da Classe Trabalhadora, com 68 propostas para o período de 2026 a 2030 — resultado da última Conclat (Conferência da Classe Trabalhadora). “Não é pouca coisa o presidente ter sensibilidade e compromisso com dirigente sindical. Essa é a diferença. Não é sempre que a classe trabalhadora pode chegar ao Palácio”, afirmou Lula. Ao retomar sua trajetória como sindicalista, o presidente destacou como a reforma trabalhista de 2017 e mais de 300 mudanças na legislação afetaram as condições dos trabalhadores brasileiros. “A luta começa agora. Mesmo que as eleições não tenham começado, vocês têm que lutar para serem representados”, disse, ao ressaltar a importância de Senado e Câmara dos Deputados representarem a população. Homenageado por Lula, Rick Azevedo, liderança do movimento pelo fim da escala 6×1, falou sobre o impacto do regime em sua própria vida. “Com a experiência que tive, vejo que a classe trabalhadora pode reivindicar — ainda mais com a força sindical”, disse Azevedo. O ministro Guilherme Boulos (Psol-SP) apontou que os ganhos de produtividade das últimas décadas não se traduziram em mais tempo livre para os trabalhadores. “Infelizmente, esse avanço de produtividade não se refletiu em mais tempo disponível para o trabalhador, o que permitiria conviver com a família, estudar e até fazer um curso profissionalizante”, afirmou. O que dizem os líderes Clemente Ganz, consultor das centrais sindicais, destacou a necessidade de refletir sobre fenômenos atuais do mundo do trabalho, como a pejotização. “Temos que repensar tudo isso, porque várias comunidades são afetadas. Mulheres e jovens sofrem com as condições de trabalho, as mudanças climáticas também impactam esse cenário, e há ainda os trabalhadores mais velhos, que precisam de melhores condições.” Miguel Torres, presidente da Força Sindical, reforçou a importância da redução da jornada de trabalho, fazendo um paralelo com o movimento de 1988. Na época, a mobilização — da qual Lula participou — resultou na redução da carga horária de 48 para 44 horas semanais. “Nos últimos 38 anos, houve evolução tecnológica e aumento de produtividade. Está na hora de reduzir a jornada e acabar com a escala 6×1, sem redução salarial, para fazermos justiça aos trabalhadores”, afirmou. Nilza Almeida, presidenta da Intersindical, destacou os efeitos da pejotização nas relações de trabalho. “Na minha época, era comum querer permanecer 30 anos no mesmo emprego. Hoje não é assim. As empresas não arcam com assistências como o seguro-desemprego”, disse. Sobre a Pauta da Classe Trabalhadora Diferentemente de 2022, quando contou com 63 itens, a pauta deste ano terá 68 propostas. Entre os destaques estão a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário e o fim da escala 6×1. O documento também inclui metas como a valorização e o fortalecimento da negociação coletiva, o direito à negociação para servidores públicos, a regulamentação do trabalho por aplicativos, o combate à pejotização irrestrita e o enfrentamento ao feminicídio.
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