O presidente da França, Emmanuel Macron. (Foto: THOMAS SAMSON/EFE/EPA/POOL)
O presidente da França, Emmanuel Macron, reuniu nesta sexta-feira (18) os líderes dos partidos representados no Parlamento francês e determinou que o governo prepare o país para enfrentar uma intensificação de ataques híbridos atribuídos à Rússia, incluindo ações com drones, ataques cibernéticos e operações contra infraestruturas estratégicas.
A reunião ocorreu no Palácio do Eliseu e contou também com representantes dos principais serviços franceses de inteligência e segurança, entre eles a inteligência externa (DGSE), a inteligência interna (DGSI) e a inteligência militar (DRM). Os participantes receberam avaliações sobre a guerra na Ucrânia, as ameaças contra países europeus e a situação no Oriente Médio.
“Nas últimas semanas, a ameaça, particularmente a ameaça híbrida russa contra os europeus e contra a França, se intensificou”, afirmou Macron após o encontro.
O presidente francês disse ter determinado ao governo a elaboração de um plano para proteger infraestruturas críticas e as instalações mais sensíveis da indústria de defesa e tecnologia do país contra ataques de drones e ações cibernéticas.
As autoridades francesas também elevaram o nível de vigilância contra operações de influência estrangeira. Na quarta-feira (16), Macron já havia presidido uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional sobre o tema. No dia seguinte, o ministro do Interior reuniu os responsáveis pelas zonas de defesa do país para reforçar medidas preventivas.
Macron diz que agressividade russa está mudando
Macron afirmou que Moscou ampliou neste ano as ações contra interesses europeus e que a natureza das ameaças russas estaria mudando. Entre os episódios citados pelo presidente estão a tentativa de ataque contra o aeroporto de Leipzig, na Alemanha, atribuída por autoridades alemãs ao serviço de inteligência militar russo GRU, incursões no espaço aéreo de países europeus e um episódio envolvendo o disparo de um sinalizador próximo a uma fragata dinamarquesa.
O governo alemão responsabilizou a Rússia pela tentativa de ataque com drones contra o aeroporto de Leipzig. Na ocasião, Macron afirmou que episódios desse tipo não poderiam ficar “sem resposta”.
Nesta sexta, o francês voltou a advertir que eventuais ações russas em território europeu terão consequências. Macron afirmou que França e Rússia continuam mantendo contatos entre seus serviços, mas disse que as ações híbridas registradas nas últimas semanas não foram precedidas por avisos. “No dia em que formos atacados fisicamente, não seremos avisados”, declarou.
O presidente disse ainda que ataques informacionais e cibernéticos contra a França já foram documentados e atribuídos e classificou o risco de novas ações como “real”.
Nesta semana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a criação de um protocolo comum para que países europeus respondam a episódios de sabotagem, ataques cibernéticos, incêndios criminosos e incursões de drones atribuídos à Rússia.


