Milhares de dinamarqueses e groenlandeses tomaram as ruas de Copenhague e de Nuuk, capitais de Dinamarca e Groenlândia, respectivamente, neste sábado (17), em protestos contra as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês com cerca de 56 mil habitantes. Os organizadores estimaram que mais de 20 mil pessoas participaram do protesto em Copenhague, o que equivale a toda a população de Nuuk. A polícia não forneceu um número oficial. Também houve protestos em outras cidades do país. Trump diz que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e aos grandes depósitos minerais e não descartou o uso da força para tomá-la. Nações europeias enviaram esta semana pessoal militar para a ilha a pedido da Dinamarca. Segundo uma pesquisa de janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses rejeitavam a ideia de fazer parte dos Estados Unidos. Em publicação na plataforma Truth Social neste sábado, Trump escreveu que tarifas adicionais de importação de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos de países europeus contrários à anexação da Groenlândia pelos EUA. Em Copenhague, manifestantes gritavam “A Groenlândia não está à venda” e seguravam slogans como “Não significa Não” e “Tire as mãos da Groenlândia” ao lado da bandeira vermelha e branca do território, enquanto marchavam em direção à embaixada dos EUA. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Para mim é importante estar aqui, porque se trata do direito do povo groenlandês de decidir o seu próprio futuro. Não podemos nos deixar intimidar por um Estado, nem sequer por um aliado. É uma questão de direito internacional”, disse Kirsten Hjoernholm, 52, funcionária da ONG Action Aid Dinamarca, que compareceu à manifestação em Copenhague. Alguns usavam bonés de beisebol vermelhos que lembram os bonés do movimento “Make America Great Again” (faça os EUA grandes de novo), usados por apoiadores de Trump, mas com o slogan “Make America Go Away” (faça os Estados Unidos irem embora). Em Nuuk centenas de manifestantes liderados pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen carregavam bandeiras e faixas semelhantes enquanto se dirigiam ao consulado dos EUA. “Não queremos que Trump invada a Groenlândia”, disse Faarnig Larsen Strum, um enfermeiro de 44 anos. Desde que voltou ao poder, há um ano, Trump reiterou em várias ocasiões sua ambição de tomar o controle da Groenlândia. Ele disse que conseguiria isto “de uma maneira ou de outra” para frear o avanço da Rússia e da China no Ártico. Um dos seus assessores, Stephen Miller reafirmou na sexta-feira o interesse dos EUA no território. “A Groenlândia é tão grande quanto um quarto dos Estados Unidos. A Dinamarca, sem desrespeito, é um país pequeno, com uma economia pequena e um Exército pequeno. Não consegue defender a Groenlândia”, disse ele à Fox News. Na quarta-feira, autoridades dinamarquesas participaram de uma reunião em Washington, porém não houve qualquer acordo com os dirigentes americanos.
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