Equipes brasileiras de resgate enviadas à Venezuela passaram a madrugada desta quinta-feira (2) em uma operação em La Guaira, uma das áreas mais devastadas pelos terremotos que atingiram o país, após cães farejadores indicarem a possível presença de uma vítima com vida sob os escombros de um edifício que desabou. Oito dias após a tragédia, a ação ocorre em um contexto em que as chances de encontrar sobreviventes são cada vez menores. A indicação dos cães farejadores de que ainda poderia haver sobreviventes deu início a uma operação de alta complexidade, que exige a remoção gradual dos escombros. Bombeiros e agentes da Defesa Civil trabalham de forma ininterrupta desde quarta-feira (1º) na retirada dos destroços e se aproximam de 24 horas contínuas de operação, segundo nota divulgada pelas equipes brasileiras. A movimentação da estrutura é feita com extrema cautela para evitar que possíveis sobreviventes sejam atingidos ou que o edifício sofra novos colapsos. Em Playa Grande, também no estado de La Guaira, outra operação de resgate de alta complexidade foi realizada para resgatar outra pessoa com vida. O vigilante Hernán Gil, 43, ficou preso ob os escombros da guarita do prédio onde trabalhava. O edifício colapsou quando os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a região. As equipes concluíram a escavação de um túnel de cerca de três metros de comprimento para alcançar o vigilante e conseguiram retiá-lo com sucesso nesta quinta. Uma equipe médica atendeu Gil assim que o resgate foi concluído. Segundo bombeiros que participaram da operação, ouvidos pela AFP, ele estava consciente, orientado e apresenta bom estado psicológico. Durante os dias em que ficou preso sob os escombros, ele recebeu hidratação por meio de uma mangueira, contou com fornecimento de ar por um tubo instalado na estrutura e mantém contato frequente com os socorristas. Em imagens divulgadas pelo Corpo de Bombeiros do Chile, Gil aparece usando máscara de proteção e movimentando a cabeça dentro do espaço onde permanece preso. O resgate reúne equipes especializadas da Venezuela, Chile, Estados Unidos, México, Portugal, Costa Rica e El Salvador. Para garantir a segurança da operação, os socorristas reforçaram a estrutura do prédio com escoramentos de madeira e ferro antes de avançar na retirada da vítima. Apesar dos esforços, a expectativa de localizar novos sobreviventes diminui a cada dia. Equipes internacionais de busca já concluíram as inspeções em grande parte dos edifícios destruídos em La Guaira, que foram marcados com a letra “D” para indicar que não há expectativa de encontrar pessoas vivas no local. A marcação faz referência à palavra em inglês “deceased” (morto) e faz parte da nomenclatura internacional respaldada pelas Nações Unidas para operações de busca e resgate após terremotos. Ainda assim, resgates considerados improváveis continuam alimentando a esperança das equipes. Nos últimos dias, uma criança de três anos foi encontrada com vida sob os escombros, reforçando a decisão de manter operações em pontos considerados promissores, especialmente quando há indicação feita por cães farejadores. Segundo o balanço oficial mais recente divulgado pela ditadura venezuelana, ao menos 2.295 pessoas morreram, mais de 11 mil ficaram feridas, e outras 12.841 estão desalojadas. As estatísticas ainda devem piorar. As Nações Unidas estimam que até 50 mil pessoas possam estar desaparecidas, o que indica que o número de vítimas deve aumentar à medida que as equipes de resgate avançam com as operações. Milhares de moradores permanecem desalojados e enfrentam falta de água, alimentos e abrigo.
Ultimas Noticias
- Sobe para 2.595 número de mortos em terremotos na Venezuela
- Brasil rebate EUA e diz que tarifaço prejudicaria empresas americanas
- Papa emérito Bento XVI morre aos 95 anos
- Rússia dispara mísseis contra grandes cidades da Ucrânia
- Biden declara emergência no estado de Nova York
- Margareth Menezes recebe título da UFC nesta sexta
- Equipes de resgate continuam a atuar após terremotos na Venezuela
- Ucrânia destrói caças russos em aeródromo na Crimeia após ataques de Moscou a Kiev

