Os Estados Unidos emitiram nesta quinta-feira (12) uma licença temporária que permite a venda de petróleo bruto e derivados de petróleo da Rússia carregados em navios até 11 de abril, de acordo com o site do Departamento do Tesouro. É a primeira vez que Washington suspende sanções contra a Rússia desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando Moscou invadiu o país vizinho. Desde março de 2022, os EUA proibiram a compra de petróleo russo por empresas americanas, mas isso era algo ínfimo. A principal restrição ao produto ocorreu no fim daquele ano, quando a União Europeia passou a coibir a importação, que respondia por cerca de 20% do que o bloco consumia. Houve restrições adicionais, como limites ao preço pago por barril de petróleo russo a outros mercados, mas o golpe de fato mais duro que os EUA deram em Moscou foi em outubro passado, quando Trump determinou sanções a quaisquer negócios com as duas maiores petroleiras russas, a estatal Rosneft e a privada Lukoil. Isso afetou a exportação da commodity, que caiu nos meses seguintes. O temor das sanções secundárias afetou empresas de transporte de petróleo e derivados e importadores diretos, como a Índia. O país asiático, segundo maior destino do produto no pós-guerra depois da China, também havia feito um acordo para não mais comprar o óleo russo com Trump, mas na semana passada os EUA suspenderam o veto por 30 dias, para evitar mais caos decorrente da guerra no Oriente Médio. A licença é emitida um dia após o Departamento de Energia dos EUA anunciar que o país liberaria 172 milhões de barris de petróleo da reserva estratégica de petróleo em um esforço para conter a disparada dos preços. Scott Bessent, secretário do Tesouro, afirmou que a medida “de curto prazo” se aplica apenas para petróleo já em trânsito e “não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo”. O anúncio também ocorre após mais um dia de forte alta nos preços do petróleo. Os preços da commodity voltaram a subir nesta quinta-feira (12) e encerraram a sessão cotados acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, após nova onda de ataques contra as infraestruturas petrolíferas dos países do golfo Pérsico. O barril Brent, referência internacional, chegou a reduzir a alta de preço ao longo do dia, mas fechou acima dos três dígitos, cotado a US$ 101,75, uma alta diária de 10,6%. Nesta semana, o petróleo chegou a bater US$ 119,46 na segunda-feira (9), mas recuou abaixo dos US$ 100 na mesma sessão. O aumento ocorre mesmo após a AIE (Agência Internacional de Energia) ter aprovado a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas, o maior movimento na sua história. Apesar disso, os navios-petroleiros continuam evitando a passagem pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à CNBC nesta quinta que a Marinha dos EUA não poderia escoltar navios pelo estreito no momento, mas era “bastante provável” que isso pudesse acontecer até o final do mês. Wright também disse ser improvável que os preços globais do petróleo atinjam US$ 200 por barril, mesmo com o Irã continuando a atacar navios.
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