O premiê da Polônia, Donald Tusk: Incursão ocorreu perto de Kaliningrado e levou o país a acionar caças e elevar a prontidão da defesa aérea. (Foto: PAWEL SUPERNAK/EFE/EPA)
A Polônia voltou a colocar caças e sistemas de defesa aérea em prontidão nesta sexta-feira (25), em meio aos ataques russos contra a Ucrânia e dois dias depois de um helicóptero militar da Rússia invadir brevemente o espaço aéreo polonês. Varsóvia afirma que a sequência de incidentes mostra que Moscou está testando a capacidade de reação das defesas do país e do flanco leste da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O incidente mais recente envolvendo diretamente uma aeronave russa ocorreu na quarta-feira (23), perto da cidade de Braniewo, no norte da Polônia, junto à fronteira com o território russo de Kaliningrado.
Segundo o Comando Operacional das Forças Armadas polonesas, um helicóptero militar russo Mi-8 entrou cerca de 300 metros no território polonês e permaneceu no espaço aéreo do país durante 42 segundos. A aeronave vinha de Kaliningrado e foi acompanhada durante todo o episódio pelos radares militares da Polônia.
Caças poloneses foram acionados em resposta à incursão, enquanto unidades terrestres de defesa aérea permaneceram de prontidão. O comando militar afirmou que as características do episódio indicam que a Rússia estaria “mais uma vez testando a prontidão” do sistema de defesa aérea polonês.
Não houve relato de confronto com o helicóptero, que deixou o território polonês após menos de um minuto.
O episódio ocorreu em uma semana de elevada atividade militar na fronteira oriental da Polônia. Na véspera da incursão, o ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz, informou que caças poloneses haviam interceptado um avião russo de reconhecimento Il-20 que operava a cerca de 40 quilômetros da costa do país. Segundo ele, a Rússia vem “regularmente testando o flanco leste da Otan”.
Nos dias seguintes, a Polônia voltou a mobilizar sua aviação militar durante ataques russos contra o oeste da Ucrânia. Caças foram acionados preventivamente e sistemas terrestres de defesa aérea e radares tiveram o nível de prontidão elevado diante da possibilidade de mísseis ou drones se aproximarem da fronteira.
A proximidade dos ataques também afetou a aviação civil. Aeroportos como Rzeszów e Lublin tiveram operações temporariamente suspensas durante alguns dos alertas desta semana. Na região de Lublin, moradores receberam avisos das autoridades diante da atividade militar russa do outro lado da fronteira.
A Polônia vem ampliando a proteção de seu espaço aéreo diante do aumento dos incidentes envolvendo aeronaves e drones russos. No início deste mês, Kosiniak-Kamysz anunciou o reforço das medidas de defesa após afirmar que as “provocações da Rússia” estavam assumindo diferentes formas e alcançando áreas anteriormente consideradas seguras.
Em setembro, militares poloneses também recuperaram no Mar Báltico um drone russo Gerbera-2. Outros episódios envolvendo drones e aeronaves russas têm colocado países do flanco oriental da Otan em estado de alerta elevado nas últimas semanas.
Em fevereiro do ano passado, um avião russo de reconhecimento Su-24MR entrou cerca de 6,5 quilômetros no espaço aéreo polonês sobre o Golfo de Gdańsk e permaneceu na área por pouco mais de um minuto. Na ocasião, Moscou atribuiu o incidente a uma falha no sistema de navegação da aeronave.


