A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou nesta sexta-feira (21) que deseja manter uma relação construtiva com a China, mas reiterou o apoio a Taiwan caso Pequim, que reivindica soberania sobre o território, decida tomá-lo à força. Há duas semanas, a primeira-ministra abriu uma crise na região ao dizer ao Parlamento japonês que uma operação armada chinesa contra Taiwan que ameaçasse Tóquio poderia justificar o envio de tropas para auxiliar a ilha. Essa posição, disse ela a jornalistas, “permanece inalterada”. Apesar disso, a política fez um leve aceno ao regime. “No final do mês passado, o presidente Xi Jinping e eu reafirmamos a direção geral de avançar de forma abrangente em nossa relação estratégica e mutuamente benéfica e construir uma relação construtiva e estável”, afirmou. Após a declaração, a China exigiu repetidamente a retratação de Tóquio, convocou o embaixador japonês, proibiu a importação de frutos do mar do arquipélago e aconselhou seus cidadãos a não viajarem para o país. O Japão, por sua vez, recomendou que seus cidadãos em território chinês tomassem precauções extras de segurança e evitassem aglomerações. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A fala teve outra consequência: fez diplomatas chineses voltarem à carga com a chamada “diplomacia do lobo guerreiro”, caracterizada por um estilo de engajamento incisivo e frequentemente ácido nas redes sociais. O nome é inspirado em uma franquia de filmes chinesa de sucesso. O primeiro foi o cônsul-geral chinês em Osaka, há duas semanas. “O pescoço sujo que se intromete deve ser cortado”, disse o diplomata no X após os comentários de Takaichi. Pequim classificou a postagem, posteriormente deletada, como um conteúdo pessoal. Após a publicação da diplomata, colegas chineses que estão em países ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial se manifestaram. Uma das declarações veio da embaixada chinesa nas Filipinas. “Os crescentes apelos do Japão por expansão militar merecem a vigilância de todos os países que sofreram os horrores da guerra —e as recentes declarações de sua nova líder só aumentam a preocupação”, afirmou a representação no Facebook. A publicação acompanhava quatro caricaturas de fantasmas pairando sobre Takaichi, e uma a retratava como uma bruxa. “A China de hoje não é mais a China do passado”, afirmou a embaixada. “Se o Japão ousar prosseguir com a intervenção militar no Estreito de Taiwan, isso constituirá um ato de agressão —e a China certamente retaliará com firmeza!” Outro foi Wang Lutong, embaixador da China na Indonésia, publicou no X um vídeo com comentários do ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, acompanhado da declaração: “A verdade é que provocar problemas em nome de Taiwan é convidar problemas para o Japão”. Questionada sobre o assunto, Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou que “a comunidade internacional deveria se concentrar mais em compreender as verdadeiras intenções do Japão e se o país ainda pode seguir o caminho do desenvolvimento pacífico”. Em uma publicação no Facebook nesta sexta, ela afirmou que o povo de Taiwan “sofreu enormemente” com os “crimes e atrocidades” do Japão após a “ocupação forçada (…) e o exercício do domínio colonial” sobre a ilha —atrocidades que incluíram assassinatos, negação de direitos políticos e pilhagem de recursos minerais, acrescentou ela. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan afirmou que a soberania da ilha pertence a todo o seu povo. “Nos últimos anos, a China tem enviado frequentemente aeronaves e navios militares para realizar atividades militares em larga escala no Estreito de Taiwan e no Mar da China Oriental”, declarou. O Japão, por sua vez, afirmou estar ciente das publicações, mas não respondeu às críticas chinesas, exceto as do diplomata de Osaka. “O governo está tomando as medidas apropriadas”, disse o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, a jornalistas nesta sexta, abstendo-se de comentar declarações específicas.
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