O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (12) que a Tailândia e o Camboja concordaram em interromper a nova rodada de conflitos na fronteira disputada entre os dois países do Sudeste Asiático. Horas depois, porém, o Camboja acusou o adversário de continuar os bombardeios. Trump negociou um cessar-fogo entre os adversários no início do ano —o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, pediu em agosto que o presidente americano fosse agraciado com o Nobel da Paz pelos esforços. O prêmio acabou sendo conferido à líder opositora venezuelana María Corina Machado. “Tive uma conversa muito boa esta manhã com [o premiê tailandês], Anutin Charnvirakul, e com o [líder cambojano], Hun Manet, sobre o infeliz ressurgimento de sua guerra de longa data. Eles concordaram em cessar todos os disparos a partir desta noite e voltar ao acordo de paz original”, publicou Trump na sua rede, a Truth Social, nesta sexta. “Ambos os países estão prontos para a paz e para continuar o comércio com os Estados Unidos da América.” Ao confirmar a ligação, Anutin não fez referência ao fim dos combates, que já mataram 20 pessoas e feriram outras 260 somente nesta semana. O premiê tailandês disse apenas ter pedido a Trump que instasse o Camboja a interromper seus ataques. “Expliquei ao presidente Trump que não somos os agressores contra o Camboja, mas estamos retaliando”, disse Anutin à imprensa. “Ele quer um cessar-fogo. Eu disse a ele para dizer aos nossos amigos —não basta falar em cessar-fogo, mas eles devem dizer ao mundo que o Camboja cessará fogo, retirará suas tropas, removerá todas as minas terrestres que plantou. Eles devem nos mostrar isso primeiro”, prosseguiu o primeiro-ministro tailandês. “Em 13 de dezembro de 2025, as forças armadas tailandesas usaram dois caças F-16 para lançar sete bombas” sobre diversos alvos, afirmou o Ministério da Defesa do Camboja em uma publicação na rede social X, horas após a declaração de Trump. “Os aviões militares tailandeses ainda não cessaram os bombardeios.” Os governos do Camboja e da Tailândia têm disparado foguetes e feito ataques de artilharia em vários pontos ao longo de sua fronteira de 817 km, uma retomada do conflito de cinco dias em julho que Trump interrompeu com ligações para ambos os líderes. Bancoc e Phnom Penh se acusam mutuamente da nova escalada. Trump busca agora salvar a trégua que intermediou, selada em outubro quando se encontrou com Anutin e Manet na Malásia. Na ocasião, os países concordaram com um processo para retirar tropas e armas pesadas da fronteira e libertar 18 prisioneiros de guerra cambojanos. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Mas a Tailândia suspendeu esse acordo no mês passado depois que um soldado tailandês foi mutilado no mais recente de uma série de incidentes envolvendo minas terrestres que Bancoc diz terem sido recentemente colocadas pelo Camboja. Phnom Penh rejeita as acusações. Trump, que repetidamente disse que merece o Prêmio Nobel da Paz, elogiou a si mesmo na quinta-feira (11) como um pacificador global que “resolveu oito guerras”. Em meio à disputa fronteiriça, Anutin dissolveu o Parlamento tailandês após aprovação do rei Vajiralongkorn na quinta, o que abre caminho para eleições antecipadas. A decisão ocorreu durante impasse dos governistas com o maior bloco parlamentar, o oposicionista Partido do Povo. Anutin garantiu que a situação não afetará a campanha militar na fronteira.
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