O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã com um ataque “muito pior” caso o país persa não volte às negociações para selar um acordo sobre armas nucleares. Washington bombardeou as três principais instalações do programa nuclear iraniano em junho do ano passado, encerrando um conflito de 12 dias entre Teerã e Tel Aviv. “Espero que o Irã rapidamente ‘venha para a mesa’ e negocie um acordo justo e equilibrado —SEM ARMAS NUCLEARES”, escreveu o republicano na rede Truth nesta quarta-feira (28), com suas habituais maiúsculas, acrescentando que “o tempo está se esgotando”. “O próximo ataque será muito pior! Não façam isso acontecer novamente”, afirmou o americano. Os EUA mantêm uma escalada militar no Oriente Médio e anunciaram, na semana passada, o envio de aviões de ataque à região. Trump já vinha ameaçando atacar a República Islâmica após o país reprimir brutalmente protestos que se espalharam pelo país —organizações de direitos humanos contabilizam mais de 5.000 vítimas, enquanto o regime admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que não teve contato com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, nos últimos dias nem solicitou negociações. “Se eles quiserem que as negociações tomem forma, certamente devem deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a introdução de questões ilógicas”, afirmou Araqchi em uma declaração televisionada. Já o representante de Teerã na ONU disse que o Irã responderia “como nunca visto antes” se os EUA realizassem uma nova ofensiva. Trump afirmou que uma força naval dos EUA, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, estava se aproximando do Irã. Dois funcionários americanos disseram à Reuters na segunda-feira (26) que o aparato militar havia chegado ao Oriente Médio. Os navios de guerra começaram a se deslocar da região da Ásia-Pacífico na semana passada, à medida que as tensões entre EUA e Irã aumentaram. Trump ameaçou intervir caso o Irã continuasse a matar manifestantes, mas as manifestações em todo o país, motivadas por privações econômicas e repressão política, diminuíram desde então. O Irã voltou, em outubro do ano passado, a estar sob sanções por causa de seu programa nuclear, após um intervalo de dez anos. A reimposição das punições foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Reino Unido, França e Alemanha, trio conhecido como E3 e signatário de um acordo de 2015 que visa impedir Teerã de obter armas nucleares, afirmaram que o Irã violou os compromissos assumidos no tratado. Com base nessa acusação, o grupo acionou, no fim de agosto de 2025, o chamado snapback, um mecanismo que permite a retomada das sanções. Em 2018, Trump deixou o tratado, durante o seu primeiro mandato. Após a retirada dos EUA, Teerã gradualmente recuou de seus compromissos assumidos no documento e começou a intensificar suas atividades nucleares. Em junho de 2025, Israel atacou Teerã, mirando suprimir suas capacidades ofensivas e defensivas, além de alvos do seu programa nuclear. Dias depois, os EUA entraram no conflito, bombardeando as três principais instalações nucleares. Teerã diz que seu programa segue intacto.
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