Autoridades turcas prenderam pelo menos 31 pessoas nesta terça-feira (15) como parte de uma campanha do governo contra grupos LGBTQIA+, enquanto a polícia deteve ao menos 126 pessoas durante protestos em Ancara e Istambul contra as recentes operações policiais e prisões. As prisões marcaram a mais recente escalada do que grupos de defesa dos direitos humanos e integrantes da oposição descreveram como uma campanha cada vez mais ampla contra a comunidade homossexual. Na semana passada, as autoridades fizeram buscas em sedes de associações, bloquearam sites e prenderam suspeitos em diversas províncias. Entre os presos mais recentemente estão cinco mulheres trans em Ancara, capital do país, e 26 pessoas na província de Mersin, no sul do país, enquanto os processos judiciais prosseguem contra outros detidos, disseram os advogados dos detidos. A polícia impediu que um grupo fizesse um pronunciamento à imprensa diante de um tribunal de Istambul nesta terça-feira e dispersou manifestantes pró-LGBTQIA+ na capital, Ancara, quando tentavam se reunir. Os protestos ocorrem depois que as autoridades detiveram dezenas de pessoas em amplas operações contra associações LGBTQIA+ em várias províncias turcas, no âmbito de uma ação denominada “Minha Família Está Segura”, que, segundo o governo, visa proteger as crianças e os valores familiares. O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, afirmou nesta terça-feira estar preocupado com as prisões, operações policiais e restrições online contra organizações da sociedade civil LGBTQIA+. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Ele disse que referências a “valores familiares” ou à “proteção das crianças” não poderiam, por si só, justificar as restrições e pediu a libertação de qualquer pessoa detida por atuar na defesa da comunidade LGBTQIA+. De acordo com os advogados dos detidos, um tribunal turco decretou na segunda-feira (14) a prisão preventiva de 18 pessoas na província ocidental de Izmir como parte da operação. O ministro da Justiça, Akin Gurlek, afirmou no domingo (13) que as investigações, coordenadas por promotores em Istambul, Ancara, Izmir, Aydin e Mersin, envolviam 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias. As autoridades turcas também bloquearam o acesso a sites e contas em redes sociais pertencentes a diversas associações LGBTQ+, indivíduos e veículos de mídia independentes. Entre eles, está a conta no X da seção turca da Anistia Internacional.
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