A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. (Foto: Ángel Colmenares/EFE)
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que o país realizará eleições como parte da transição para uma “democracia plena”. Ela, porém, não anunciou uma data para a realização do pleito.
Segundo Delcy, o regime chavista já iniciou um diálogo com representantes da oposição e pretende garantir a participação de todas as forças políticas do país no futuro processo eleitoral. Ela afirmou que as instituições venezuelanas estão sendo preparadas para a realização de eleições. “Quero dizer muito claramente nesta Assembleia Geral: na Venezuela haverá eleições e, nessa direção, iniciamos um diálogo político com setores da oposição”, disse.
A declaração representa uma das sinalizações mais diretas feitas até agora pelo regime interino sobre a realização de novas eleições desde que Delcy assumiu o comando do país, em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas.
Apesar do compromisso apresentado na ONU, a líder interina não indicou quando os venezuelanos voltarão às urnas nem detalhou como será organizado o processo eleitoral. Durante o discurso, Delcy afirmou que a Venezuela atravessa um período de reconstrução política e econômica e que a recuperação do país levará tempo.
“Este é o momento de construir a nação para a qual muitas pessoas querem retornar”, afirmou.
Trump cobrou eleições durante encontro com Delcy
A promessa ocorre um dia depois de Delcy se reunir pela primeira vez pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, à margem da Assembleia Geral.
Segundo autoridades americanas, Trump levantou diretamente a questão eleitoral durante o encontro. O presidente não exigiu que uma data fosse definida naquele momento, mas ressaltou que a realização de eleições deverá fazer parte da etapa final do processo político venezuelano.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou nesta quarta-feira que Washington considera uma eleição livre e justa uma condição necessária para que a atual transformação política venezuelana seja considerada concluída.
“Para este projeto ser bem-sucedido, ele termina em uma eleição livre e justa”, afirmou Rubio.
O encontro entre Trump e Delcy também tratou da reconstrução econômica venezuelana e da reestruturação da dívida do país. Segundo Rubio, Estados Unidos e Venezuela discutem formas de recuperar o acesso de Caracas aos mercados internacionais depois de anos de sanções, calotes e isolamento financeiro.
O regime venezuelano e a estatal de petróleo PDVSA acumulam cerca de US$ 60 bilhões em títulos em situação de inadimplência. Estimativas de analistas citadas pela agência Reuters apontam que o conjunto das obrigações venezuelanas, incluindo juros e decisões arbitrais, pode chegar a US$ 200 bilhões.
Delcy fala em diálogo com oposição
No discurso na ONU, Delcy afirmou que o regime chavista abriu canais de diálogo com a oposição e prometeu espaço para diferentes grupos políticos num eventual processo eleitoral. Parlamentares americanos vêm pressionando o governo Trump para que a aproximação econômica com Caracas seja acompanhada de compromissos políticos concretos, especialmente a realização de eleições livres e competitivas.
A líder interina afirmou no discurso que o processo de mudanças na Venezuela terá como alguns de seus pilares uma “reforma jurídica ordenada” e o “exercício responsável” da política. Segundo ela, o regime pretende criar condições de participação para diferentes forças políticas e reformar instituições do país. Delcy também pediu que a comunidade internacional acompanhe o processo de transformação da Venezuela, mas sem interferência externa. “Este não é o final de um discurso. É o começo de um compromisso”, afirmou. Segundo ela, o país está disposto a se relacionar com governos que adotem uma postura de “respeito, sem intromissões nem prejulgamentos”.
Delcy também usou o discurso para destacar a reaproximação com Washington. Ela agradeceu a Trump pela “disposição de retomar o caminho das relações diplomáticas e de cooperação” entre os dois países e exaltou o acordo petrolífero firmado com os Estados Unidos em 28 de agosto, que classificou como um dos “maiores já assinados” pela Venezuela.
O entendimento ampliou a cooperação energética entre os dois países e se tornou um dos principais pilares da aproximação entre o regime interino venezuelano e Trump.
Delcy chegou aos Estados Unidos nesta semana em sua primeira viagem ao país desde que assumiu o comando do regime chavista. Além de Trump e integrantes do governo americano, sua delegação manteve conversas com organismos multilaterais e representantes do setor privado sobre petróleo, mineração, dívida e reconstrução econômica.


