Sede do The New York Times, em Nova York: fundo é acionista da empresa que controla o jornal. (Foto: Wikimedia Commons)
O fundo público de aposentadorias da Flórida e uma organização conservadora entraram nesta quarta-feira (23) com uma ação contra a New York Times Company, responsável pelo jornal The New York Times, para obrigar a empresa a entregar documentos internos sobre seus controles editoriais. Os autores querem analisar como a direção do jornal lida com checagem de fatos, correções, verificação de fontes e reclamações feitas dentro da redação. Eles afirmam que os registros podem mostrar se houve falhas na supervisão de conteúdos que, segundo eles, indicariam um viés contra Israel do jornal.
A ação foi apresentada em um tribunal estadual de Nova York pelo State Board of Administration of Florida (SBA), responsável pelo Florida Retirement System Trust Fund, e pelo think tank National Center for Public Policy Research (NCPPR). As duas organizações são acionistas da empresa que controla o jornal.
No processo, os autores argumentam que uma série de erros, correções e reclamações internas relacionadas à cobertura de Israel levantaria dúvidas sobre a forma como a direção do New York Times aplica os próprios padrões editoriais. O objetivo da ação é conseguir acesso aos documentos para que os acionistas possam avaliar como a empresa tratou internamente essas reclamações e se os mecanismos de supervisão editorial funcionaram como deveriam.
No processo, eles citam o caso de uma ex-funcionária não identificada que trabalhou no jornal por cerca de uma década e afirma ter começado, em 2019, a fazer reclamações internas sobre o que considerava uma cultura editorial desfavorável a Israel do jornal. Segundo a petição, ela questionou decisões tomadas na cobertura do jornal sobre Israel e, posteriormente, da guerra contra o grupo terrorista Hamas, mas alegou que suas preocupações não receberam uma resposta adequada dentro da empresa.
O New York Times rejeitou as alegações. O porta-voz do jornal Charlie Stadtlander afirmou à agência Reuters que a ação “não tem mérito” e foi apresentada com um “propósito impróprio”. O jornal classificou o processo como uma tentativa de pressionar uma organização de imprensa independente e disse que vai contestá-lo na Justiça.
O fundo administrado pela Flórida atende mais de 1,2 milhão de participantes e beneficiários e tinha aproximadamente US$ 235,7 bilhões sob gestão no fim de agosto. O governador republicano Ron DeSantis e o procurador-geral estadual James Uthmeier estão entre os integrantes do conselho que supervisiona o SBA.


